Paul de Arzila

A Reserva Natural do Paul de Arzila localiza-se 11 km a Oeste de Coimbra, na margem esquerda do Rio Mondego, e abrange uma área de 535 hectares, que se distribuem por três concelhos (Coimbra, Condeixa-a-Nova e Montemor-o-Velho). Esta zona húmida deve, no entanto, o seu nome à freguesia de Arzila, do concelho de Coimbra. Insere-se no vale da ribeira de Cernache, na sua confluência com o Mondego. 
Com uma orientação de NNO e SSE, um comprimento de 4,5 km e uma largura máxima de 2,5 km, o Paul é atravessado por três valas: a Vala da Costa, a Oeste; a Vala dos Moinhos, a Este, que recebem as águas das escorrências das encostas; a Vala do Meio, que atravessa a parte central e que escoa as águas das exsurgências, localmente designadas por “olheiros”. 
É um dos mais importantes pauis de Portugal, a prová-lo estão os diversos estatutos de protecção atribuídos a nível nacional e internacional, sendo uma Reserva Biogenética e integrando a Rede Natura 2000.
A visita à Reserva pode ser iniciada no Centro de Interpretação, onde os visitantes podem tomar contacto com diversas exposições temáticas e adquirir alguma informação escrita. Da varanda do Centro é possível fazer uma leitura quase completa do paul e, simultaneamente, durante a Primavera e início do Verão, observar o voo da garça-vermelha (Ardea purpurea), usada, pelo seu estatuto de ameaça, como símbolo desta Reserva Natural. Saindo da sede, voltando à direita e descendo em direcção ao paul, encontramos a meio da descida uma indicação que nos leva ao caminho do observatório. 
Deixando o observatório e continuando a descida, os visitantes encontram uma ponte conhecida como Ponte do Paço, à qual está associado um pequeno grupo de mesas e bancos e onde é possível observar os pequenos guarda-rios (Alcedo atthis) com a sua plumagem de um brilhante azul eléctrico. Chegados a esta zona, é agora possível acompanhar a Vala dos Moinhos e passear nas margens do Paul, contemplando a bonita galeria ripícola, da qual sobressaem imponentes exemplares de salgueiros (Salix spp.). Simultaneamente, e nas margens da vala, é possível observar durante a Primavera e Verão a diversidade de espécies de borboletas e o fervilhar contínuo das libélulas. 
 
A Reserva tem um Percurso de Descoberta da Natureza, e possui parques de merendas de apoio ao visitante.
 
 
Tabúa (Thypha latifolia) 
Planta com mais de 2 m, de terrenos alagados e águas tranquilas, ricos em substâncias nutritivas. No Baixo-Mondego ocorre associada ao bunho e ao caniço. As folhas são compridas e estreitas, de cor verde-acinzentada. As flores, muito pequenas, são unissexuais e não possuem pétalas. No Verão surge, por entre as folhas, um género de charuto castanho (feminina) sobre o qual se encontra uma pequena espiga (masculina) castanho claro.
 
Esteiras de Arzila 
As esteiras fazem parte da cultura tradicional local, e estão intimamente ligadas ao Paul de Arzila, de onde sai a matéria-prima para a confecção desta bonita peça de artesanato. No Verão, com o auxílio do foição, procede-se ao corte do bunho (Scirpus lacustris) e do junção (Carex riparia). O bunho depois de cortado é seco e atado em “manhotas”, o junção é torcido em grupos de 3 ou 4 para formar a “baraça”, utilizada na feitura da esteiras. O tear é de natureza rudimentar, constituído por uma tábua de pinho, com 2,30 m, possuindo 6 ranhuras equidistantes complementadas por 12 calhaus roliços, sendo a vara suportada por 2 “canenhos”. As esteiras eram usadas para proteger árvores; serviam, também, de cama, mesa e complemento de pesca.
 
Curiosidade 
 No Paul de Arzila ocorre a maior das borboletas da Europa, a borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius), e também a mais pequena, a africana-azul (Zizeeria knysna).  
Caimão (Porphyrio porphyrio)  
Caimão (Porphyrio porphyrio)  
Tamanho real 
Trata-se de uma ave de tamanho considerável, com 48 cm de comprimento e plumagem  de um azul metálico inconfundível.  O bico é forte e vermelho. É sedentária e tem a sua distribuição em Portugal reduzida a dois núcleos, um núcleo a sul do país (Algarve) e outro na região do Baixo-Mondego, onde esteve extinta e foi recentemente reintroduzida. O caimão é territorial e monogâmico e o seu ninho é composto por pequenas folhas e ramos de vegetação aquática,  que consegue manter-se à superfície. É omnívora, e a sua base alimentar é constituída por rebentos, folhas e raízes de plantas aquáticas, como o bunho, o caniço e a tabúa.
 
Libélulas 
As libélulas são os mais antigos insectos voadores. Contemporâneas dos dinossauros, surgiram na Terra há 300 milhões de anos.  Actualmente, em toda a Terra, existem 5000 espécies e na Europa ocorre uma centena de espécies das quais 80 estão em perigo e,  destas 50 , estão ameaçadas de extinção.
 
A fauna - Riqueza biológica do Paul de Arzila 
 
Aves -126 espécies (sedentárias, invernantes, visitantes de Verão e de passagem, entre as quais 112 apresentam estatuto de protecção ao abrigo de convenções internacionais). Mamíferos - 17 espécies.  Répteis - 10 espécies.  Anfíbios - 9 espécies.  Peixes - 15  espécies.  Invertebrados - 207 espécies (Insectos171,  Moluscos 30,  Aracnídeos1,  Anelídeos  4,  Turbelarios1).
 
Águia-sapeira (Circus aeruginosus) 
Esta ave de rapina, inteiramente dependente das zonas húmidas, é a rainha dos céus do Paul de Arzila, onde nidifica nas manchas densas do caniçal. A sua silhueta de asas longas é inconfundível, ora voando de forma rasante sobre o caniçal ora planando, sempre na procura, para a sua alimentação, de micro-mamíferos, de pequenas aves, de insectos ou de alguma rã mais descuidada. O ninho é feito no chão, no meio do caniço, por vezes em cima de vegetação palustre e o período de reprodução vai de meados de Abril a finais de Maio.
 
Estatutos de protecção 
Reserva Natural (Decreto Lei nº 219/88, de 27 de Junho e Decreto Regulamentar nº 45/97, de 17 de Novembro). Zona de Protecção Especial, ao abrigo da “Directiva Aves”. Sítio da Lista Nacional de Sítios, ao abrigo da “Directiva Habitats” (Paul de Arzila  PTCON0005).  Reserva Biogenética do Conselho da Europa. Biótopo CORINE (C12200031).  Incluído na Lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional Sítio Ramsar (7 de Maio de 1996).